Comentário sobre o texto "Os ultra-ricos preparam um mundo pós-humano" de Douglas Rushkoff

     No texto “Os ultra-ricos preparam um mundo pós-humano”, Douglas Rushkoff propõe uma reflexão acerca da postura individualista de parte da elite, a qual deseja desenvolver um futuro digital pautado em uma visão transhumanista. Nesse sentido, a tecnologia seria utilizada  com o objetivo de permitir que essa ínfima parcela da população escape de uma calamidade futura e não com o propósito de evitar que tal catástrofe concretize-se. Sob esse viés, destaca-se a não mobilização dos ultra-ricos no que tange ao uso de novos recursos tecnológicos para tentar tornar o mundo um lugar que permita a vida de todos, e sim esforços para criar uma realidade, extremamente exclusiva, alternativa ao caos do planeta. 
  Atualmente, nota-se de forma explícita essa lógica elitista de isolamento e abstenção frente às questões sociais e ambientais, a exemplo dos condomínios fechados, com muros altos e diversos sistemas de segurança, nos quais cria-se uma realidade alternativa em um ambiente segregacionista onde se procura isolar, como em uma bolha, do perigo, da convivência com a multiplicidade humana e de todas as responsabilidades para com a sociedade, inerentes ao mundo real externo. Dessa forma, quanto mais esforços escapistas por parte dos ultra-ricos, mais agravam-se os problemas da humanidade.
     Portanto, é extremamente necessária a mudança no comportamento dessas pessoas, o qual deve pautar-se pela ética, proposta por Hans Jonas, de responsabilidade e preservação do meio ambiente a fim de garantir plenas condições de vida, não só à geração atual, mas também às gerações futuras. 

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